A Promessa do Livreiro

O que dizer de um livro que nos arrebata e nos faz torcer pelo personagem da mesma forma que torcíamos pelo mocinho quando assistíamos Cisco Kid na tv, lá pelos idos dos anos 60, quando éramos a maioria, televizinhos? no meu caso, televizinho é liberdade poética, pois nos reuníamos na casa de um amigo, (o único que tinha tv) e era aquela horda de meninos vibrando a cada tiro (e a pistola do cara nunca ficava sem balas e ele nunca errava um tiro sequer!). Digo isso para mostrar como foi para mim o primeiro livro com este personagem que li. Cliff Janeway é o homem que deixou de ser policial para ser livreiro. E com ele aprendi a seguinte coisa: não se escreve em livros, não se faz dedicatória em um livro, não se trata um livro de uma forma ruim. Livro se trata como a uma mulher legal, boa e que você goste ou até mesmo a que você não gosta: delicadamente. Mas como existem livros e livros...deixa para lá. Cliff Janeway como disse, é o policial protagonista do livro Edições Perigosas que a tantas horas (é aí que esta a maior parte da minha torcida por ele) saí da polícia e como era colecionador de livros raros abre um sebo. E é assim que tudo começa.
Em A Promessa do Livreiro, lá está Janeway cuidando de sua vida, dez anos depois de ter aberto seu sebo, quando adentra à loja uma velhinha trazendo um caminhão de problemas, sua própria morte e uma outra, além de escoriações várias no forma de um diário mantido por seu já há muito falecido avô, no qual este relata o encontro que teve com o famoso explorador Sir Richard Burton quando da estadia deste na América no século XVIII, meses antes do estouro da Guerra da Secessão. Seria Richard Burton apenas um viajante ou seria um espião da coroa inglesa? Este é o problema que Janeway precisa resolver, além de se livrar dos bandidos de plantão e um especialmente mal encarado, de um escritor ganhador do Pulitzer e se meter novamente com uma mulher que não consegue controlar. Donde afloram todas as suas manias de policial que ele julgava enterradas.
Visto ao lado dos anteriores, é um livro menor, mas mesmo assim digno de leitura. Leiam, ainda vale a pena. Melhor, claro que um outros que foram lançados anos atrás por uma outra editora cujas histórias não se sustentavam. Mas ainda inferior ao segundo com o mesmo personagem, Edições e Provas, que claro, que como as Edições, encontra-se fora de catálogo e quem sabe um dia sejam relançados.
Escrito por Jorge H Moraes às 06h09














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