Guido Argentini

Guido Argentini

Não há outra forma de  iniciar isto aqui sem falar de um livro que vem mexendo comigo há semanas, não pelo que apresenta e sim pela forma que se apresenta. Private Rooms,  do fotográfo italiano Guido Argentini.  Depois dele, ver revistas de mulher pelada perdeu totalmente a graça. Desde o advento do photoshop, as mulheres estão cada vez mais e mais plastificadas, sem graça, sempre com aquelas mesmas posições. Não que ele não use photoshop ou coisa que valha, usa sim, mas de uma forma tão sutil que a natureza da coisa salta aos olhos. É as mulheres parecem, diferentemente do que se vê sempre, adquirir vida e saltar aos olhos. É ver e se apaixonar perdidamente...como fizeram os 5 sortudos que compraram este livro. Uma amostra apenas,  para deleite de quem gosta... 

 

Pearl Jam em São Paulo

Flavio Florido/Folha Imagem

Pearl Jam em São Paulo

Eu não fui

 

Fiquei o mês inteiro pensando se ia, mas lembrei que nunca havia ouvido nada deles. Então fui ao Lime Wire (sim, eu baixo música na internet e todo mundo faz isso, ainda que diga que não faz) e baixei duas ou três. Gostei. Conversei com meus amigos que me disseram que não tinha mais ingressos. Minha ex-cunhada me disse que tinha, eu como acreditei no panaca que me dissera não ter mais, não dei bola. Dois dias antes conversando com ela no msn, me disse que  havia ganho um ingresso mas que levaria a filha.

Moral: perdi. Mas tudo bem, estava frio e chovendo mesmo...

Ag. Estado

Sexta feira: tô de folga

E o dia amanheceu assim: quilometros de congestionamento...o que nos reservará o dia?

 

Relógio

 

Então não sei desde quando. Só sei que era um tique taque que não parava e não me deixava dormir, não me deixava em paz. Não sei como começou, só sei que não para, não para. E comecei a procurar de onde vinha o tique taque, o maldito tique taque que já não me deixava dormir, não me deixava comer, não me deixava fazer nada. Perguntei pra minha mãe “mãe, onde está este relógio que não para?”, minha mãe me olhou com cara esquisita. Fiquei bravo e gritei com ela. Meu pai apareceu e com sua voz rouca perguntou o que acontecia. Eu só queria que o tique taque parasse, disse pra ele. Ele também me olhou esquisito. Voltei prô quarto me tranquei e fui procurar o maldito tique taque. Ele continuava. Revirei o armário, joguei as roupas no chão. Minha mãe bateu na porta, “está tudo bem, meu filho?”. “não!”, berrei de volta, “não acho este maldito relógio!” . e assim os dias passaram, já não saia de casa, não trabalhava, não comia, só o maldito tique taque. E eu procurava o relógio e não encontrava. Minha namorada veio me ver e saiu chorando quando disse a ela que minha cabeça parecia que ia explodir de tanto ouvir o tique taque. Ela saiu chorando abraçada com minha irmã. Não voltou mais. Dias já que não a vejo. Só o tique taque me faz companhia. Minha irmã achou que não vi quando ela colocou um relógio em cima da cômoda, atrás do porta retrato. Peguei-a pelos cabelos e um tufo ficou em minha mão quando a empurrei na parede. Meus irmãos vieram e meu pai também e minha mãe gritou comigo chorando. Meu irmão mais novo me deu um soco na cara e eu caí. Acho que ele se aproveitou pra alguma desforra. Trancaram a porta por fora e eu fiquei no chão com a boca sangrando. Não deixaram minha mãe cuidar de mim e ela saiu chorando mais alto ainda. Escureceu e eu não dormi e o tique taque continuava, acho que minha mãe bateu na porta uma hora, mas não tenho certeza se não dormi e sonhei. Só sei que tive a impressão que o tique taque estava perto. então comecei a rasgar os lençóis, as cortinas e as roupas de dentro do armário e ele não parava. Chutei portas, dei um soco no espelho e minha mão cortou, mas não senti nada. A porta abriu e era meu pai muito bravo e gritando que eu estava louco, mas eu não estava. Só estava ouvindo o tique taque cada vez mais forte e perguntei pra ele, “pai, o senhor não ouve o relógio fazendo tique taque?”. Acho que gritei porque ele gritou comigo que eu estava louco e deixando todos loucos com essa história absurda. Pulei no pescoço dele e gritei que a culpa era dele. Meus irmãos vieram, me tiraram de cima dele, Me seguraram e eu lutei com eles. Foi quando vi dois homens de roupa branca entrando no quarto e o mais alto me segurou por na cabeça e só senti uma picada no braço e acho que dormi. Acordei com o tique taque e não sabia onde estava, só que não era meu quarto e estava com frio e vi que minha calça estava ensangüentada. O tique taque estava mais forte agora, mas a minha cabeça não doía mais e eu quase que podia conversar com ele. Queria conversar, descobrir o que ele queria comigo, quem era ele, por que eu, o que eu havia feito? Só que ele não respondia e foi aí que um homem alto entrou e ele estava acompanhado de outros dois e um deles era o que me segurara. Isso eu sabia. Ele me disse que estava tudo bem e que o tique taque iria embora logo e saiu. Tentei falar com ele, mas minha voz não saiu, o tique taque não deixou não. Tentei levantar e quando pensei em usar as mãos elas não estavam à vista. Foi então que percebi que estava usando uma daquelas camisas que tem mangas bem compridas e que amarram atrás e eu não lembro mais o nome. Sei que conhecia, mas não lembro. Não sei quanto tempo estou aqui, eles trazem comida, eu não tenho fome. Me espetam duas ou três vezes e eu só fico aqui sentado. Não consigo levantar. O tique taque? Continua a falar comigo nesta língua estranha, mas nunca responde quando pergunto...

 

Injuriado
Chico Buarque/1998

Se eu só lhe fizesse o bem
Talvez fosse um vício a mais
Você me teria desprezo por fim
Porém não fui tão imprudente
E agora não há francamente
Motivo pra você me injuriar assim

Dinheiro não lhe emprestei
Favores nunca lhe fiz
Não alimentei o seu gênio ruim
Você nada está me devendo
Por isso, meu bem, não entendo
Porque anda agora falando de mim


Estranho, são 19:34, zé dirceu já foi cassado e até agora o Brasil não mudou. será que é preciso pegar todos os outros 500 e tantos?Achei que quando acordasse as coisas estariam diferentes...

 

Ladeira da Memória

           (Zé Carlos Ribeiro)

 

Olha as pessoas descendo, descendo, descendo

Descendo a ladeira da memória

Até o vale do Anhangabaú,

Quanta gente!

Vagando pelas ruas sem profissão

Namorando as vitrines da cidade

Namorando, andando, andando e namorando!

O céu ficou cinza e de repente trovejou

E a chuva vem caindo, caindo, caindo

Prendendo as pessoas nas portas, nos bares

Na beirada das calçadas

Quanta gente!

Com ar aborrecido olhando pro chão

Pro reflexo dos edifícios e dos carros

Nas poças d´água

E pros pingos pingando pingando pingando

Olha as pessoas felizes, felizes, felizes,

Felizes porque a chuva que caia agora pouco

Essa chuva que caia agora pouco já passou

 

e aí o mundo resolveu cair e meu pneu furou...

 

 

 

1.São São Paulo
    
(Tom Zé)  


São São Paulo quanta dor
São São Paulo meu amor

São oito milhões de habitantes
De todo canto e nação
Que se agridem cortesmente
Correndo a todo vapor
E amando com todo ódio
Se odeiam com todo amor
São oito milhões de habitantes
Aglomerada solidão
Por mil chaminés e carros
Gaseados a prestação
Porém com todo defeito
Te carrego no meu peito

São São Paulo quanta dor
São São Paulo meu amor

Salvai-nos por caridade
Pecadoras invadiram
Todo o centro da cidade
Armadas de ruge e batom
Dando vivas ao bom humor
Num atentado contra o pudor
A família protegida
O palavrão reprimido
Um pregador que condena
Um festival por quinzena
porém com todo defeito
Te carrego no meu peito


São São Paulo quanta dor
São São Paulo meu amor

Santo Antonio foi demitido
E os ministros de Cupido
Armados da eletrônica
Casam pela tevê
Crescem flores de concreto
Céu aberto ninguém vê
Em Brasília é veraneio
No Rio é banho de mar
O país todo de férias
E aqui é só trabalhar
Porém com todo defeito
Te carrego no meu peito

São São Paulo quanta dor
São São Paulo meu amor

 

foi a primeira música que ouvi sobre esta cidade. tinha eu uns 7 anos de idade e me lembro de tom zé cantando na televisão, não sei se no silvio santos ou no chacrinha...possívelmente neste último. e depois o tempo passou e vieram outras e outras.

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