Comprando e ouvindo
Aerial – Branford Marsalis
Qual a forma de descrever a sensação que um disco novo nos trás? Que tal a sensação de ir à loja de discos e vasculhar as gondolas sem saber exatamente o que se quer? Algumas vezes é possível descrever, outras não. Quando vc está à procura de um produto específico e sabe onde encontrar, fica mais fácil.Entrei numa loja destas que agrega produtos de quase todos os tipos e fui direto ao setor de jazz e peguei este cd novo de Branford Marsalis, que foi lançado no final do ano nos Estados Unidos. Fazia tempo que não comprava um cd de jazz. Como sempre fui um acusado de ser um comprador compulsivo que não abre os discos, resolvi nos últimos tempos que deveria abrir alguns e ouvi-los. (Aviso aos interessados que as caixas de Charles Mingus e John Contrane permanecem fechadas até que algo de bom aconteça no mundo). Ainda tem muita coisa fechada, mas como não pretendo morrer tão cedo, com certeza vou ouvi-los sim.
Ouvir Branford para mim sempre foi uma questão de deleite. A meu ver herdeiro direto de
Cannonbal Adderley, Coltrane, Ben Webster, Coleman Hawkins e um quase desconhecido no Brasil, Ike Quebec, Branford sempre foi o mais lírico dos irmãos Marsalis, o mais aberto e o mais inventivo. É só ouvir seus discos de rap (Buckshot Le Fonque) e de blues (I heard you twice for the first time) e o que considero sua obra prima, Trio Jeepy.
Já havia lido criticas boas em relação a este lançamento, mas queria ver até que ponto era boa vontade ou somente a obrigação de quem escreveu de falar bem.
Fui para casa e contrariando tudo, cheguei já tirando o disco do invólucro e colocando no aparelho. Merecia uma dose de uísque, então peguei a garrafa e gelo e sentei:
Começa na melhor tradição das baladas de Ben Webster com The Ruby and the Pearl, com um pianista que não me lembro de ter ouvido anteriormente, Joey Calderazzo, Eric Revis no baixo e o grande Jeff “Tain” Watts na bateria, que não fica devendo nada a Al Heath. Passa então a Reika´s Loss, Gloomy Sunday, The Lonely Swan (de Calderazzo), Dinner For One Please, James, Muldoon e desemboca na faixa título Eternal, a única escrita por ele para, dizem, sua esposa.
É um disco difícil de ser ouvido? Nada, é facílimo. Quem o conhece sabe que ele não é dado a cabecismo do irmão, (mas rebaixá-lo a um mero coadjuvante de Sting como muita gente faz, é no minimo não aceitar que alguém possa dar-se ao luxo de ganhar dinheiro.), mas tem lá suas peças intrincadas. Ouçam e comprovem.

Escrito por Jorge H Moraes às 18h41





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